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O Futuro das Profissões

Trabalho pode ser definido como uma ação executada por um agente (no caso, o Homem) sobre um objeto (físico, energético ou ideológico) com o intuito de produzir um resultado útil para o próprio indivíduo ou para outros.

Em termos práticos, trabalhar resume-se basicamente em transformação de energia; usar a energia bioquímica do indivíduo, seja na forma de força muscular para mover, moldar ou construir, seja na forma de energia mental para resolver problemas, liderar as atividades de outrem ou produzir arte.

As ferramentas são resultado de e usadas para o trabalho.

As ferramentas são resultado de e usadas para o trabalho.

Como exemplos podem-se enumerar a transformação desde objetos paupáveis como matérias-primas em ferramentas e armas, organismos (vegetais ou animais) em comida e roupas, até os objetos não-paupáveis como ideias e sentimentos em formas de arte como poesia e música.

Uma vez que do Homem sempre foi-lhe exigido esforço, por menor que seja, para que extraísse do ambiente os insumos para a manutenção de sua vida, é plausível afirmar que o trabalho é tão antigo quanto o próprio Homem; porém, a observação histórica mostra que o trabalho evolui numa taxa muito mais acelerada do que os próprios seres humanos.

Do termo “evolução” pega-se emprestado o mesmo significado adotado por Darwing para as espécies, ou seja, de que evoluir não necessariamente indique melhoria, mas sim adaptação, a partir da sobrevivência (e procriação) dos mais fortes; processo ao qual entitulou-se Seleção Natural.

Na Natureza, os espécimes que apresentem características biológicas e comportamentais mais favoráveis às adversidades do ambiente, mostram-se mais aptos a sobreviver e passar adiante seus genes, em detrimento dos menos aptos, mais propícios a perecer e não perpetuar suas, por assim dizer, deficiências.

Assim como as pessoas são espécimes da espécie humana, pode-se analogamente considerar as profissões como “espécimes” do conceito de trabalho. Cada profissão tem suas características que podem ser mais ou menos favoráveis ao seu “ambiente”, o momento histórico em que se insere na Economia.

Pouco se viu evoluir biologicamente o Homem, já que a Seleção Natural vem gradativamente perdendo força de atuação conforme avançam-se áreas do conhecimento humano como o Direito – que restringe a atuação da Lei do Mais Forte – , a Engenharia – que cria facilidades, reduzindo a exposição dos indivíduos a situações de risco – e a Medicina – que reduz a mortalidade dos portadores de genes menos favoráveis.

Por outro lado, a evolução faz-se muito presente na história do trabalho, uma vez que para que uma profissão “sobreviva” ao seletivos momentos econômicos em que se inserem, é preciso que possua as seguintes características favoráveis:

a. satisfazer uma necessidade humana – e como estas necessidades mudam muito rapidamente, a profissão pode, de uma hora para outra, perder completamente seu propósito.

b. não ser substituível por ou ser mais eficiente que máquinas – uma vez que a tecnologia avança e uma tarefa manual passar a ser facilmente desempenhada por uma máquina de baixos custo e consumo energético, a profissão pode deixar de ser economicamente vantajosa.

Esta evolução das profissões tem se dado de forma tão acentuada que é possível observá-la sem recorrer aos livros de História, pelas próprias lembranças e vivências de um indivíduo, pois atualmente dentro do período de uma geração muitas ocupações surgem e tantas outras somem.

Lançando-se mão do clichê Kubrikiano, desde que o primeiro ser humano primitivo empunhou um osso e usou-o para demonstrar superioridade perante seu grupo até as mentes mais brilhantes levarem a Humanidade a explorar o espaço, um sem-número de atividades humanas surgiram, tiveram seu ápice e extinguiram-se sem deixar rastros.

Cada época possui suas necessidades.

Cada época possui suas necessidades.

Da pré-história à era espacial, à medida em que a tecnologia e a estrutura macro-econômica progredem, as necessidades humanas vêm mudando a cada instante; ao passo que em dado momento a demanda era por força muscular e habilidade para manusear um arco e flecha para caçar animais silvestres para a tribo, noutro a carência passa a ser por designs modernos para a moda da próxima estação.

A centralização dos meios de produção da Economia, tanto agrícolas e de mineração (1º setor), fabris (2º setor), quanto serviços (3º setor) aliada à redução dos custos de mecanização, estão gradativamente desempregando a mão-de-obra braçal.

Passo a passo, tudo está sendo mecanizado. Tecidos, calçados, alimentos, eletro-domésticos, eletrônicos etc. Um breve exemplo é o leite: vacas criadas de modo intensivo, alimentadas por máquinas, são atraídas por sinais sonoros a entrarem nas ordenhadeiras automáticas que conectam-se e desconectam-se automaticamente das tetas, liberam os animais ao final do processo e o leite é envazado e organizado em caixas e pallets, tudo sem a necessidade de intervenção humana.

Ascensorista - "Motorista de elevador"

Ascensorista – “Motorista de elevador”

Já se podem enumerar várias profissões praticamente extintas no passado recente, como tecelão, datilógrafo, escrivão, telefonista, mordomo, ascensorista. Atualmente, mesmo as profissões de alta exigência intelectual ou que requerem maior contato humano vêm sendo automatizadas ou substituídas, ainda que parcialmente, por ferramentas de inteligência artificial e auxílio de tomada de decisão, cortando custos, aumentando escala e reduzindo a probabilidade de erros humanos. Como exemplos citam-se os mecanismos de marketing direcionado das redes sociais, diagnósticos médicos e cirurgias mecanizadas na medicina, até mesmo métodos de ensino remoto, personalizado e automatizado na educação.

Com tudo isto exposto, nos resta a seguinte questão: Como se manter sempre preparado para ser um bom profissional para as necessidades vindouras?

Bem, para isso será necessário um novo artigo, recheado de especulações 🙂 Até lá.

Eduardo Bortolotte