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Dinheiro para quê?

Por quê foi necessária a invenção do dinheiro?

Como surgiu o dinheiro e em que momento histórico?

A vida seria mais simples sem a existência do dinheiro?

A invenção do dinheiro é considerada umfonte: http://c3e308.medialib.glogster.com/media/bb/bb0b743456909b0fced75f0cde70c89ee2a5f8dbfaf72de31855837755512169/6095924-greed-businessman-eating-money-man-eat-dollars-in-display-of-avarice-isolated-on-white-1.jpg dos maiores marcos da História da Civilização Humana. Basta uma rápida pesquisa para se obter uma lista de artigos científicos e documentários apontando indícios de civilizações de milhares de anos antes de Cristo com Economia de base monetária.

O dinheiro é considerado por muitos como um dos grandes males do mundo, porém para entendermos a sua importância, analisaremos brevemente o tema sob os aspectos histórico, social e tecnológico.

Breve Histórico do Comércio

Quando o Homem desenvolveu as técnicas da agricultura e da domesticação dos animais (pecuária), deixou de ser nômade para ser sedentário, ou seja, aprendeu a explorar o ambiente de forma sustentável, de modo a não mais ser obrigado a locomover-se para uma nova área por ter esgotado os recursos naturais do ambiente em que se instalava.

Porém, a produção agropecuária de subsistência torna-se mais complexa à medida que se busca a diversidade de alimentos; por exemplo, é muito mais fácil e prático plantar milho por todo o seu terreno do que manter diversas culturas diferentes, cada uma com suas especificidades de sazonalidade, preparação do solo, irrigação, insolação etc.

Conforme os povos passaram a interagir em grupos maiores de centenas ou milhares de indivíduos, seja por afinidade cultural ou até proteção mútua contra predadores naturais ou povos rivais, naturalmente cooperavam entre si a partir da troca de insumos, o chamado “escambo”, e iniciam-se os primórdios do comércio.

fonte: http://www.silverbearcafe.com/private/07.11/images/barter.jpgCada aldeia ou família se especializava na produção de algum bem para sua subsistência (consumo próprio) e oferecia parte do excedente de sua produção em troca de outros bens produzidos por outro grupo de pessoas, aumentando-se, assim, a eficiência produtiva e a qualidade de vida, propiciada pelo aumento da diversidade de produtos disponíveis a todos.

À medida que esta prática primitiva de comércio se popularizava, surgiam também os centros mercantes, locais onde os produtores individuais se encontravam no intuito de trocar seus bens por outros produtos de interesse de suas famílias.

Naturalmente, alguns bens eram mais desejados e escassos que outros. Por exemplo, alguém que produzisse porcos teria muito mais trabalho para obter uma certa quantidade de carne do que outro que produzisse a mesma quantidade em batatas; o que faria o pecuarista exigir, por exemplo, 5 partes de batata para cada 1 parte de carne, para compensar a escassez do seu bem, seu esforço em produzí-lo e suprir a carência de sua família por outros produtos.

Assim, a proporção das trocas se auto-regulavam a partir da disponibilidade e da procura pelos bens, dando origem ao conceito marcante de valor. É a famosa Lei de Oferta e Demanda, base do mercantilismo e válida até os dias atuais.

A Origem do Dinheiro

Embora as pessoas continuamente necessitem se alimentar, se abrigar, se proteger etc, a produção dos bens pode não seguir a mesma continuidade, pois grande parte dos produtos possui sazonalidade, ou seja, têm sua produção diferenciada dependendo da época do ano. Por exemplo, alguns frutos se desenvolvem mais no verão, alguns grãos crescem mais em época de cheia, os animais engordam mais nos meses quentes e de fartuna vegetal etc.

Tais oscilações sazonais podem ser resolvidas por estocagem, ou seja, armazenar o excedente da produção nos meses de maior fartura e utilizar posteriormente os bens guardados, seja para consumo ou troca, nos períodos de baixa, como faz a personagem da formiga na fábula infantil A Cigarra e a Formiga.

Porém, o estoque representa um grande custo ao produtor, que precisa dispor de parte dos seus recursos valiosos para a obtenção de espaço e abrigo adequado, além do fato de que muitos produtos são perecíveis e não permitem armazenamento por longos periodos.

É neste contexto de imperfeições do escambo que o dinheiro surge basicamente como facilitador dos processos de troca de bens e serviços.

Como dito por Alfred Milnes em The economic foundations of reconstruction (“Os fundamentos econômicos da reconstrução”, 1919), “O dinheiro é uma questão de quatro funções: um Meio, uma Medida, um Padrão, um Armazenamento” (tradução livre).

Meio: o dinheiro representa um bem intermediário que por si só não possui valor, mas que é reconhecidamente aceito por todos como um item intercambiável com qualquer outro bem produzido por aquele grupo de indivíduos.

Medida: as unidades do dinheiro, sejam moedas, células ou apenas números numa operação eletrônica, são numéricas e permitem quantificar os bens.

Padrão: o dinheiro estabelece regras de precificação e dívida dentro da jurisdição onde ele é válido e elimina a subjetividade do valor dos bens. Por exemplo, dizer que uma galinha vale 10 unidades de uma tal moeda é mais objetivo que dizer que ela valha “3 punhados de sementes de melancia” ou “2 dúzias de batatas médias”.

Armazenamento: o dinheiro é compacto e não perecível, atuando como uma forma eficiente de se “estocar valor” ao invés de se estocar bens.

Curiosidade: Em Português, a palavra “moeda” significa tanto a peça física metálica (substantivo concreto) quanto o sentido mais amplo, do dinheiro em circulação, da moeda nacional (substantivo abstrato). Outros idiomas possuem palavras distintas para cada conceito, como o Inglês, onde coin é o substantivo concreto e currency, o abstrato. Assim, para o correto entendimento do termo em nosso idioma é necessário considerar o contexto em que se insere.

Forma física do Dinheiro

fonte: http://blogs.angloinfo.com/angloinfo-world-money/files/2012/11/Money-stack.jpgAtualmente, as cédulas e moedas de dinheiro são produzidas exclusivamente pela Casa da Moeda de cada país, que são órgãos regulamentados ou pertencentes ao Governo. O processo fabril do dinheiro envolve o uso de materiais e técnicas de autenticidade que estão em constante aprimoramento, de modo a mitigar as tentativas de falsificação.

Entretanto, os povos antigos não dispunham de tecnologias eficientes contra este tipo de fraude e, portanto, faziam uso de commodities como dinheiro, ou seja, materiais naturalmente escassos em cada sociedade e época, como metais preciosos, conchas, sal (daí o termo “salário”), marfim, e até cevada, fumo, azeite, penas de avestruz e muitos outros.

Para entender como coisas de valor aparentemente pífio puderam um dia ser usadas como dinheiro é preciso se posicionar no contexto histórico e geográfico da sociedade em questão. Por exemplo, quanto vale para você uma caixa de fósforos? Agora imagine que valor ela teria para um sobrevivente de um naufrágio isolado numa ilha deserta, como no filme Náufrago, com Tom Hanks.

Ainda precisamos dele?

O dinheiro, pelo menos como o conhecemos hoje, é apontado como motivo para muitos conflitos e dado como causador de uma série de transtornos, porém tornou possível a implementação de inúmeras praticidades que trazem conforto e dinamismo à vida moderna a ponto de sermos hoje capazes de receber produtos sem sair de casa, com apenas um toque no smartphone.

Vale a reflexão: os problemas associados ao dinheiro são mesmo causados por ele ou pelas pessoas que dele fazem mau uso? Trataremos desta abordagem em breve em um novo artigo.

Eduardo Bortolotte